sábado, 9 de outubro de 2010

Pessoas queridas: o bem mais precioso que temos

Algumas reflexões tomaram conta da minha mente desde a última quinta-feira. Reflexões que me acompanham vez ou outra, mas que se tornam mais presente em momentos onde a morte se faz presente.

Difícil ver a dor de uma mãe pela perda do seu filho. E mesmo que digamos "posso imaginar como você está se sentindo", não chegaremos a magnitude de tamanha dor e, no último dia 07 de outubro, pude ver a "cara" dessa dor mais uma vez. Vendo, e sentindo também, pois não tinha como ver tantas lágrimas e não sentir. Sentir a dor do outro, esta aí algo que devemos praticar. Digo "praticar" no sentido de se colocar no lugar do outro.

Um abraço. Outro meio de sentir a dor do outro. A partir do momento que você abraça a pessoa que perde um ente querido da forma trágica que aconteceu, a partir do momento que você abraça a pessoa que teve seu "bem maior" retirado de forma brusca da sua vida você "percebe", e relembra algo que não deveríamos esquecer um dia sequer: de voltar o olhar para o que realmente é importante nessa vida. Ver o quão importante são as pessoas que gostamos e amamos. Ver que mesmo a vida te cobrando, não te dando tempo para viver essas pessoas, mesmo a vida te levando para longe de algumas que você gosta é importante buscarmos ter mais tempo para as pessoas queridas porque de nada vai adiantar apenas voltar seu olhar para o material. Assim, quando acordamos e vemos que o tempo passou e que aquelas palavras nunca mais poderão ser ditas a quem partiu de nada vai ter adiantado focar seu tempo no que é menos importante. Sendo o mais importante viver as pessoas que gostamos, assim caso elas sejam retiradas do nosso convívio cedo demais não ficaremos arrependidos por não termos aproveitado o tempo com elas. Não sentiremos arrependimentos por não ter "falado" o que deveríamos ter falado quando ainda havia tempo. Não sabemos o que pode acontecer daqui a um segundo, mas sabemos que não se pode deixar para depois o que deve ser dito agora.

Ouvir aquele "adeus, meu filho", no momento do sepultamento, é a inversão da lei da vida. Sempre falamos: pais não deveriam enterrar seus filhos, mas a vida prega suas peças. Olhar para traz e ver que mesmo após a pessoa ser sepultada vinha um grande contingente de pessoas dar um último adeus...vemos que quem pratica o bem e vive no bem sempre tem e terá amigos fiéis. Amigos que não conseguiam entender como aquilo poderia ter acontecido com uma pessoa do bem.

Naquele momento, onde há a despedida e o adeus, há o misto de dor e saudade. Posteriormente, quando o tempo for passando, fica a saudade. Né o que sempre falam? Mas a dor de uma retirada brusca e trágica, para a família, para a mãe e para os amigos é infinita. Dor que torna a saudade mais dolorida.

O que quero dizer e frisar aqui para quem acompanha esse blog é: não deixem para amanhã o que deve ser dito hoje. Sei que pode ser clichê, mas é a pura verdade. E mesmo que acreditemos em um reencontro, em um outro momento, e que a partir desse reencontro a saudade não mais existirá tenho como resultado de minha reflexão, nesses dias, isso: não deixe de viver as pessoas e de dizer o que realmente é importante quando ainda tem tempo.


Beijos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário